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Não julgue uma fonte chaveada pela carcaça

Não julgue uma fonte chaveada pela carcaça

5 junho 2019

Produtos eletrônicos em geral precisam atender uma série de normas técnicas para que possam ser fabricados e comercializados no Brasil. As fontes chaveadas, não são diferentes.


Principais Normas Técnicas sobre fontes chaveadas


Diversos testes garantem o atendimento às normas vigentes para cada tipo de fonte, assegurando um bom funcionamento do equipamento quando exposto a diferentes características do ambiente de trabalho, por exemplo, variação de tensão de entrada, vibração, variação de temperatura e exposição a atmosferas salinas.

Observando a perspectiva de conversores chaveados de energia, duas normas podem ser consideradas como as mais importantes, sendo seu atendimento imprescindível:

  • Norma de Compatibilidade Eletromagnética (EMC)
  • Norma de Segurança (Safety)


Qual a importância de seguir as regras?


O atendimento das normas de EMC visa
evitar que o produto cause ou sofra interferência eletromagnética quando em funcionamento junto a outros equipamentos próximos e/ou ligados na mesma fonte de alimentação. Por exemplo, dois aparelhos ligados em tomadas residenciais diferentes, mesmo distantes uma da outra, podem estar interligados devido a rede de transmissão de energia elétrica residencial, e compartilhar o mesmo meio físico, fios de cobre, para distribuição da energia elétrica.

Devido ao aumento da quantidade de eletrônicos presentes no cotidiano da sociedade, não só brasileira como mundial, o atendimento das normas de EMI torna-se essencial para evitar interferências e incompatibilidades eletromagnéticas em dispositivos eletrônicos.

 

Principais diferenças entre produtos de alta e baixa qualidade


A fonte chaveada, como o nome sugere, é uma tecnologia de conversão de energia que utiliza chaveamento em alta frequência, operando normalmente em frequências de 20 mil Hertz até a faixa de Mega Hertz. Esta característica de chaveamento em alta frequência possibilita a conversão de energia com
maior eficiência em um menor volume comparada a fontes lineares.

As imagens abaixo apresentam a comparação entre dois produtos, que em teoria, realizam a mesma função de carregar um aparelho celular. Os dois carregadores utilizam a rede de transmissão e distribuição de energia elétrica como fonte de energia, e convertem a tensão de corrente alternada CA para corrente contínua CC, em níveis adequados para a carga do celular que neste caso é de 5 Vcc.

 

Figura 1: Comparação entre dois carregadores de celular (tensão de saída em amarelo e espectro de frequência em laranja). Fonte aqui

 


As imagens na figura 1, trazem na parte central, em amarelo, a forma de onda de saída de um carregador original, e em laranja na parte inferior da figura temos o espectro de frequência.

Se compararmos os resultados obtidos por um osciloscópio é possível perceber que a tensão de saída apresentada na imagem da direita apresenta uma maior oscilação, atingindo um valor de oscilação de 1,184 Vcc de pico a pico, valores apresentados no canto direito de cada imagem (Pk-Pk(C1)), já o carregador original apresenta uma oscilação de 80 mVcc de pico a pico.

As diferenças entre os produtos de boa qualidade e os de qualidade duvidosa não se restringem apenas às informações apresentadas pela figura 1, a complexidade dos circuitos, o projeto da placa de circuito impresso, a qualidade dos componentes e até mesmo o processo de fabricação influenciam diretamente na qualidade do produto. Infelizmente essas alterações na característica dos produtos não são visíveis a olho nu.


Fique atento com eletrônicos falsificados


A figura 2 apresenta os dois produtos utilizados para comparação, à esquerda da imagem temos o produto original, e à direita o produto falsificado.

 

Figura 2: A esquerda o carregador original e a direita o carregador de origem duvidosa. Fonte aqui

 

Analisando a figura 2 podemos perceber que as diferenças entre os dois produtos são praticamente imperceptíveis, se olharmos apenas pela carcaça dos produtos, porém o preço dos dois se distinguem bastante, o preço do original é de $19 dólares, enquanto o similar é encontrado por $3, tornando o produto de baixa qualidade atrativo no momento da compra.


Risco de morte ao usuário


Infelizmente as diferenças entre os produtos originais e os falsificados são ainda mais preocupantes. Os produtos de origem confiável fornecem um projeto com melhor isolação, não só no projeto do magnético como também isolação no projeto da placa de circuito impresso (PCI), essas técnicas evitam que a parte de baixa tensão seja afetada pela alta tensão, diminuindo os riscos de choques elétricos no usuário.

De acordo com a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) o número de mortes por choque elétrico devido ao uso de celulares enquanto carregavam mais que dobrou em 2018 em relação à soma dos últimos três anos.

O atendimento das normas de segurança (Safety) procura acima de tudo garantir a segurança e a integridade física dos usuários para que não aconteçam mais casos de acidentes deste tipo. Os aparelhos duvidosos que não estão em concordância com as normas vigentes podem ainda, devido a um mau funcionamento, superaquecer ou até fechar curto na rede elétrica, tornando-se um possível foco de incêndio.

Todas as diferenças apontadas são refletidas diretamente nos preços dos produtos, isso dificulta para as empresas sérias, que procuram atender às exigências de normas de segurança e de compatibilidade eletromagnética entre outras, competir em preço com os modelos falsificados ou que não respeitam padrões básicos de qualidade. Porém é de extrema importância analisar os riscos existentes ao optar pela compra de produtos falsificados, que além de apresentarem baixa qualidade colocam em risco a sua vida e a vida de todos ao seu redor.

 

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